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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Phantom Corsair 1938

Fotos: Internet, Conceptcarsz, Ultimatecarpage


Que os anos 30 foram pródigos em automóveis aerodinâmicos, seguindo a tendência de desenho de carrocerias streamline, alguns de vocês já devem saber. Porém, talvez o automóvel mais marcante dessa época seja o Phantom Corsair, tendo um único protótipo produzido em 1938, que pode ser visto nas fotos deste post. O desenho da carroceria era radicamente diverso de tudo o que já havia sido pensado até então, mesmo considerando-se os demias modelos que seguiram a escola streamline.


O carro foi desenhado em conjunto por Rust Heinz e Maurice Schwartz, com o objetivo de ser um automóvel bastante avançado, de forma a antecipar os veículos de tempos futuros. Portanto, o chassi escolhido foi o do Cord 810, então o projeto mais moderno dos EUA. A mecânica do Cord 810 consistia de um motor V8 de 190 hp, acoplado a uma transmissão de 4 velocidades operada eletricamente, com tração nas rodas dianteiras. As supsensões eram independentes nas 4 rodas, contando ainda com amortecedores de carga ajustável.


O cuidado aerodinâmico chegou a extremos, como por exemplo a placa de licença traseira coberta por material transparente ou a área envidraçada mínima. Os pára-choques eram compostos por várias lâminas sobrepostas e não havia maçanetas ou retrovisores externos. Nem mesmo a grade dianteira foi mantida, algo incomum mesmo nos dias atuais.


Aliada à boa potência do motor Cord V8, o desenho bastante aerodinâmico da carroceria permitia velocidade máxima da ordem de 185 km/h, respeitável ainda hoje, podendo-se imaginar o que tal valor representava no final dos anos 30. E o Phantom Corsair podia levar 6 passageiros adultos com todo o conforto de um automóvel de luxo.


Porém, o veículo não passou da fase de protótipo, devido ao falecimento de Rust Heinz pouco tempo depois do único Phantom Corsair ter sido fabricado. A idéia inicial era produzir uma série limitada, com preço de venda de US$12,5 mil. Atualmente, o carro pertence ao National Automobile Museum, em Reno, Nevada, nos EUA.


O carro apareceu no filme “The young at heart”, também de 1938. Nesse filme o carro é chamado de “Flying Wombat”, apresentado como o carro do futuro. Acredita-se que os vários veículos que podem ser vistos no salão de vendas daquele filme sejam modelos em cera, já que apenas um único automóvel foi produzido. No jogo para PC “Mafia” também há o Phantom Corsair disponível, como um táxi bastante rápido.


Este ano o Phantom Corsair poderá ser visto no 14th Annual Amelia Islands Concours d’Elegance, entre os dias 13 e 15 de março, em uma de suas raras exibições fora do museu.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Bel Air "Merlin V12" 1955

Não consegui muita informação deste insano Bel Air 1955, equipado com nada menos que um Rolls-Royce Merlin V12, o mesmo motor usado, entre outros, no avião de caça americano da Segunda Grande Guerra, P-51 Mustang. Trata-se de um V12 de 27-litros, com peso da ordem de 700 kg ou mais, dependendo da versão.

Para a instalação no Bel Air, o motor recebeu mudanças no sistema de alimentação, superalimentação e em toda a parte de baixo, para ficar ainda mais potente, com cerca de 3000 hp, pois os até 2030 hp originais não pareciam suficientes...

O carro levou mais de 10 anos para ficar pronto (somente o chassis levou 5 anos para ser fabricado e ajustado a contento), sendo construído por um preparador na Austrália, Rod Hadfield, finalizado em outubro de 2002. O valor total do empreendimento ultrapassou a cifra de US$1 milhão!

Toda a parte estética do carro, incluindo o interior, foi pensado de forma a reproduzir ao máximo o cockpit de um P-51 usado no 352nd Fighter Group durante a Segunda Guerra.

Para aqueles que gostam de torque abundante já nas baixas rotações, esse carro é o paraíso!!! Segue abaixo um link de vídeo com o bólido. O ronco dos motores Merlin V12 é fantástico!


Clique aqui para ver mais fotos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Top classics

Duesenberg J Rollston Convertible Berlini 1937, apenas 2 unidades produzidas
Foto: Rob Clements, site www.ultimatecarpage.com

Estava novamente lendo edições antigas do jornal O Radiador, do Veteran Car Club do Brasil, e encontrei, na edição número 2, a definição de automóveis clássicos. A definição é bastante severa, mas tomei a liberdade de compartilhar com vocês, já que a publicação original foi feita em 1977:

"Os automóveis hoje tidos como clássicos são os que, devido as suas características mecânicas e estéticas, mantem-se como padrões de elegância e distinção em qualquer época.

Na fabricação desses automóveis utilizavam-se materiais como prata, alumínio, bronze e, muitas vezes, até ouro; madeiras raras e selecionadas, couro curtido de modo a manter sua beleza, cor e cheiro característico por muitos anos; lã de carneiro de raças especiais, tintas aplicadas dezenas de vezes, para que jamais a carroçaria apresentasse defeito algum em sua superfície.

Pode-se definir um carro clássico de acordo com vários critérios, dos quais podemos apontar:

1 - Data de fabricação. São considerados clássicos os carros construídos desde a metade da década de 20 até a explosão da 2a. Grande Guerra (1939), com exceção do Lincoln Continental fabricado até 1948, do Bugatti modelo 101, de todos os Bentley e Rolls-Royce e de alguns Delage e Delahaye, construídos até 1950.

2 - Volume de produção. Todos os clássicos foram produzidos em quantidades limitadas.

3 - Cuidados na fabricação, inclusive na parte mecânicia.

4 - O custo de fabricação, já que ao fabricante interessava apenas o produto final minuciosamente construído, independente de seu custo.

5 - A clientela a que se destinavam. Essa selecionada clientela exigia não só beleza mas, principalmente, que o carro possuísse características únicas, capazes de diferenciá-lo de todos os outros automóveis.

6 - O valor dos automóveis. Veículos que hoje valem muitas vezes seu preço original e cujo valor continua subindo, independente do ano de fabricação.

Segundo pesquisa feita no livro 'Sports & Classic Car, by Griffith Borgeson & Eugene Jaderquist - New York', podemos apontar as principais marcas de automóveis clássicos:

Auburn, Alfa Romeo, Bentley, Bugatti, Cadillac, Chrysler, Cord, Cunningham, Daimler, Doble, Duesenberg, Franklin, Hispano-Suiza, Isotta Fraschini, Lincoln, La Salle, Marmon, Maybach-Zeppelin, Mercedes-Benz, Packard, Pierce-Arrow, Rolls-Royce, Stutz, SS Jaguar e Wills St. Claire."

Aos poucos, pretendo ir estudando a história desses grandes clássicos e, à medida que ir conseguindo material confiável, vou postando por aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mercedes-Benz A320 Cabriolet 1948


A luxuosa série A320 (W142) havia sido introduzida pela Mercedes-Benz em 1936, portanto antes do início da Segunda Grande Guerra. Eram oferecidos diversos modelos na linha: saloon, tourer, roadster e cabriolets, sendo as versões saloon as mais vendidas.

O motor usado era um 6 cilindros em linha, com válvulas laterais e de 3208 cm³ de deslocamento. Posteriormente, o motor foi ampliado para 3405 cm³, a fim de compensar a baixa qualidade da gasolina. A potência do motor maior atingia modestos 78 cv. Porém, justamente por causa da Segunda Grande Guerra, a produção da Mercedes-Benz foi interrompida em 1942, devido ao maciço bombardeio da Alemanha pelas forças aliadas .

Com o final da guerra, os esforços da Mercedes-Benz concentraram-se inicialmente na produção do modelo 170, mais acessível e ainda do período anterior ao início da guerra. Enquanto isso, desenvolvia uma nova linha de modelos. Para o segmento de luxo, a proposta era desenvolver uma nova linha baseada na antiga série A320, sendo o modelo destas fotos o único protótipo produzido da nova série, construído em 1948. O desenvolvimento de um novo motor, com comando de válvulas no cabeçote, que daria origem à série 300 "Adenauer", tornou o protótipo cabriolet desnecessário, não sendo produzido em série.

Este A320 1948 foi então comprado por um empresário e colecionador holandês, que o levou para a Indonésia, onde lá permaneceu por quase 40 anos. No final dos anos 80, um entusiasta australiano redescobriu o carro e o levou para a Austrália. Após extensa análise do veículo, conduzida pelo então diretor do Museu da Daimler-Benz, Max-Gerrit von Pein, foi atestado que o modelo era realmente o único protótipo da série A320 do pós-guerra. Foi então executada uma restauração completa em Melbourne, posto que o carro estava bastante maltratado, inclusive repintado de vermelho (a cor original é a que se vê nas fotos que ilustram esta postagem), salvando assim o modelo Mercedes-Benz mais exclusivo de todos os tempos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pierce-Arrow Silver Arrow 1933

Fotos: Supercarsnet.com


São poucos os automóveis produzidos até então que sejam tão exclusivos quanto os Pierce-Arrow Silver Arrow fabricados em 1933. Apenas 5 unidades desse magnifíco automóvel foram produzidos, sendo um dos primeiros automóveis "de rua" fabricados com carroceria voltada para redução de arrasto aerodinâmico, projetada através de exaustivos testes em túnel de vento.


Com carroceria totalmente fabricada em alumínio e equipados com potentes (para a época...) motores V12 de 175 cv, atingiam velocidades superiores a 160 km/h, valor bastante expressivo para os anos 30, ainda mais considerando-se o pesso do veículo (acima de 2500 kg). Como o V12 possuia ângulo elevado entre as duas bancadas de cilindros, o centro de gravidade era mais baixo do que o usual, permitindo melhor comportamento dinâmico do que os demais automóveis da época.


Quando de sua apresentação, na "Chicago World Fair" de 1933, o Silver Arrow foi considerado o automóvel do futuro pelo fabricante, Pierce-Arrow: "apresentamos em 1933 o carro de 1940". Embora a história tenha demonstrado que os automóveis dos anos 40 não tenham sido exatamente como os Silver Arrow, sem dúvida alguma o desenho do modelo era futurista e à frente de seu tempo.